Meus ouvidos não escutam as explosões
de bombas, gritos, gemidos e choros
meus olhos sequer se enfumaçam ou se entulham
de escombros, mutilações, fumaças tóxicas
meu nariz escapa do cheiro e do pavor da morte
e da lenta e torturante agonia dos destroços humanos
Não estou entre aqueles que caíram de repente no inferno
como prédios, casas e madrugadas que desabam qual aves abatidas
mas sinto o fim do mundo batendo em nossas portas
Toda destruição tira o café da manhã e a noite de estrelas
apaga o dia que começava de mãos dadas ao sol
deixa o futuro enterrado em sangue e desespero
ignora os primeiros passos das crianças
transforma em cinzas pais, mães, avós e os amanhãs
Os deuses das crenças e bênçãos param de responder
ficam expostos à mutilação do martírio das horas
Não há onde ficar tampouco para onde seguir
a morte estrangula a vida em cada vida
Não existem mais céus, árvores, escolas e jardins
a história deixa de seguir e significar ao tornar-se farsa
os senhores do morticínio são seguidos por séquitos de destruição e ódio
o pavor e as vísceras dão-lhes despojos por aclamação

Tua poesia é das que dizem tudo sem precisar dizer mais nada
Obrigado Éder! Valeu! Pelo menos indignar é preciso! 👍✌🏼
A guerras desde o início da criação do homem e todas acabaram com a morte de milhões ou mais bilhões de trilhões de seres humanos za quem devemos culpar ajo a própria humanidade que não consegue se entender e quer a todo custo o poder da lei do mais forte ajo que e mais ou menos por ai
Forte e visceral!!! Obrigada pelo poema !!