Escapa-me a alegria do feliz natal e próspero ano novo. Ela some a partir do mês de novembro, início das decorações natalinas. Não absorvo os votos de felicidade, as luzes anunciando a hora das compras, a mesa de iguarias já esperadas. Derrapo no incorreto natalino, ao manifestar a ausência do amor intensamente declamado ao longo do mês de dezembro!
Passo a vida refletindo sobre a busca do sentido da felicidade, da alegria e do amor e não tem sido no final do ano que encontro ajuda para definições mais precisas. No Natal fico melancólica , com uma vaga saudade de algo perdido, provavelmente a infância. O réveillon por sua vez apenas ocupa um espaço que desgosto. No meu entender, a festança degrada a luta pela sobrevivência, ano após ano, ao afirmar que o passado não foi bom, mas o próximo será ótimo. Eu não me sinto importante suficiente neste contexto de melhora. Se não for para todos não será para mim e a não ser o reconhecimento de que o tempo passa, não acho que a vida, ano após ano, no mundo, melhora.
Penso que o Amor declamado está na abnegação de poucos que tem a percepção de que o Outro existe tanto quanto ele mesmo; penso que o amor está na compreensão da Natureza do Mal em nós e ao aceitar a existência de Deus – apesar d’Ele não ser misericordioso com a gente – penso que ele se encontra ali quando buscamos saber o que é o Bem.
Não reconheço o Amor, a Paz e Felicidade entre os Homens. Mas tenho certeza que suas Existências se encontram na Natureza por si e em si mesma.
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BETTINA LENCI – Uma empresária que se realizou tendo como início profissional a história da arte e a fotografia, mas que, posteriormente, descobriu que lendo e escrevendo é possível criar um mundo com um olhar agudo sobre o cotidiano de todos nós.
Bettina,
me identifico muito em sua(s) reflexões na busca de sentido (s).
Beijo,
Eliane